sexta-feira, 25 de julho de 2014

Conheça a história de Nina

Conheça a história de Nina, uma cachorrinha que foi adotada por uma rua em Casa Amarela

Animais comunitários são uma saída contra o abandono de cachorros e gatos

25/07/2014




Nina chegou à rua com uma série de doenças e foi tratada com a ajuda dos moradores.
Foto: Carolina Braga/Esp DP/D.A Press

          Há seis meses, ela chegou à rua Rodrigues Sete. Filhote, estava machucada pelo abandono e pela crueldade, além da agonia da coceira provocada pela sarna. Era uma tarde de domingo quando a cadelinha Nina, sem raça definida, foi acolhida, aquecida e alimentada pelo segurança de algumas casas da rua, localizada no bairro de Casa Amarela, na Zona Norte do Recife, Marcelo Ferreira. Depois dos primeiros cuidados, vários residentes da rua também passaram a alimentar e dar carinho à nova moradora.

          Vestida com uma guia rosa, Nina também tem uma casinha branca de madeira com uma almofada bege dentro e um plástico forrado fora, para mantê-la aquecida em dias de chuva. Na calçada, duas tigelas, uma com água e outra com ração, terminam de compor o espaço feito para ela. Para o banho, xampu e perfume. Depois, é enxugada em uma toalha verde. A limpeza é feita utilizando a mangueira do vizinho da frente da casinha de Nina.

          "Eu amo cachorros e gosto muito dela. Quando chegou aqui precisando de ajuda, nem hesitei em dar carinho. Como alguém pode abandoná-la desta forma?", indaga Marcelo. Nina estava com um olho e uma pata machucados quando chegou na rua. Hoje, só enxerga de um lado. Já foi vacinada e vermifugada.

          "Todos começaram a ajudar por conta da minha dedicação a ela, mas agora todos cuidam porque adoram ela, se apegaram. Eu não teria condições financeiras de criá-la sozinho, então é muito bom e importante o amparo dos moradores", completa.



O segurança Marcelo Ferreira toma conta de Nina, que tem sua própria casinha na calçada.
Foto: Carolina Braga/Esp DP/D.A Press

          Assim como Marcelo, muitas pessoas não têm condições de criar um bicho, então se juntar com os vizinhos e alimentar e cuidar de um animal de rua pode ser uma saída. São os chamados animais comunitários.

          No Recife, cerca de 60 mil gatos e 40 mil cachorros estão nas ruas em estado de abandono, segundo dados da Secretaria-Executiva dos Direitos dos Animais (Seda) da prefeitura. "Arrumar lar para todos os bichos abandonados é complicado, então os animais comunitários são muito importantes.

          Vale lembrar que não existe nenhuma política que incentive este tipo de adoção em Pernambuco", resume o presidente da Ong Brala, Luiz Leoni. De acordo com a assessoria de imprensa da Seda, nenhuma ação ou campanha sobre o tema está prevista.

          Segundo o ativista, existe uma falta de interesse do poder público em gastar dinheiro com a higiene e saúde dos animais de rua, o que torna o abandono um problema de saúde pública. "Um cachorro ou gato vermifugado, vacinado e castrado não traz risco à população, ao contrário, só dá alegria. Precisam ser realizadas mais campanhas dentro dos bairros e comunidades levando essa possibilidade de saúde para os bichos."



Alimentação e remédios são fornecidos por moradores.
Foto: Carolina Braga/Esp DP/D.A Press

          A ausência de ações como essa está em desacordo com a lei estadual 14.139 de 2010, na qual é de responsabilidade do executivo regulamentar ações sanitárias que controlem a reprodução de cães e gatos.

          A lei também estabelece que os animais comunitários sejam esterilizados e registrados e depois devolvido à comunidade, depois da assinatura de um termo por um cuidador principal. O que não acontece na prática.

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